O TOP 10 para uma melhor mobilidade sustentável

Hoje comemora-se o dia mundial da bicicleta, mas em vez de estarmos aqui com fotografias bonitas de bicicletas tiradas junto ao rio, num domingo solarengo,(isto não é inveja ok?) fazemos antes um TOP 10 sobre o que precisa de ser mudado urgentemente em Portugal, para que não existam limitações no uso da bicicleta como meio de transporte.



10 - TER ESTILO
Alguns de vocês podem não compreender "o que ter estilo" a andar de bicicleta tem a ver com a melhoria das condições para o seu uso. Embora injustamente em último lugar na nossa lista, o facto é que se te vestires com  mesma roupa normal que usarias se fosses antes a pé ou de carro, tem uma grande influência na percepção que os outros têm sobre a bicicleta e o seu uso. Pode ser (e é com provas dadas) o suficiente para teres mais alguém a ir para o trabalho de bicicleta, ou não. E isso multiplicado por muitos dá outros tantos. Claro que há situações e situações. Malta que faz 20 ou + km´s para o trabalho de licra ou fato de treino e depois chega e troca de roupa. Aí tudo bem, têm desculpa:) 


9 - LEGISLAÇÃO PARA O COMÉRCIO DE BICICLETAS
Um tema de que pouco se fala, ou se relaciona com estas temáticas é a falta de qualidade das bicicletas, principalmente as vendidas em supermercados onde também compras pão. Uma bicicleta mal preparada, ou com fracos componentes, ou desadequada para a pessoa que esta a comprar é meio caminho andado para se pegar uma ou duas vezes nela e depois encostá-la, ou ter mesmo um acidente grave. 
Parecendo que não, nos últimos 20 anos,  a influência que estas bicicletas (a maioria tipo montanha) tiveram na percepção da sociedade sobre o que é andar de bicicleta, foi tão negativa e teve um impacto tão grande na hora de escolher o meio de transporte que não podia deixar de estar nesta lista. Os supermercados só podem vender produtos farmacêuticos se tiverem alguém da especialidade como responsável. 


8 - INCENTIVOS FISCAIS
Outro assunto que não se compreende. Há incentivos para compra de automóveis eléctricos (inclusive já houve sorteios de topos de gama a gasolina) e não há para bicicletas, incluindo as eléctricas? Mau, muito mau...


7 - BICICLETAS DE USO PARTILHADO
Lisboa é uma das ultimas cidades do país a ter bicicletas de uso partilhado, mesmo com todas as vantagens que acarreta e lucros que daí advém para as câmaras. Paris, a poucos kms daqui, tem uma dimensão que nada se compara à capital e já as tem desde 2007. Ainda assim e mesmo prometido para o início do ano, estamos já a meio e nada. E ainda têm de ir a testes primeiro e só depois iniciam as operações em modo projecto piloto no Parque das Nações.


6 - ESTACIONAMENTOS
Ah e tal, não reclames que agora já há mais. 
Pois há, mas a verdade é que no último mês por exemplo não me lembro quando é que usei um estacionamento próprio para bicicletas, por não ter encontrado nenhum na minha rotina. E eu ando TODOS os dias em várias partes da cidade. A minha cabeça (e assim como na tua sabes bem) já está formatada para detectar os sinais de trânsito ou algum suporte de painel publicitário em aço para prender a bicicleta. Ainda vais na estrada a sinalizar a mudança de direcção e já estás com um olho no passeio a procurar o sítio certo.


5 - TRANSPORTES PÚBLICOS
É certo e sabido que a maior parte das pessoas que trabalham em Lisboa por exemplo, vêm de zonas suburbanas. Tem obrigatoriamente de fazer parte dos planos de mobilidade das câmaras acordos para uma melhor cooperação das empresas em relação ao transporte de bicicletas. Eliminação total de restrições que desincentivam o seu uso e maior promoção destas opções.
Não podemos admitir regras sem lógica de empresas como por exemplo a Transtejo que proíbe o transporte de mais de 5 bicicletas por barco que tem uma lotação de cerca de 300 pessoas, mesmo que só leve 15 ou 20. É óbvio que a maioria sabendo disto prefere encontrar outra alternativa a ir de bicicleta, adivinha lá qual vai ser?



4 - VIAS PARTILHADAS EM VEZ DE CICLOVIAS BONITAS E VIAS BUS
A euforia com as novas ciclovias compreende-se. Algumas cidades portugueses, aparentemente tem agora mais condições para ciclar. Isso é verdade se fores uma criança e estiveres a passear com os papás no fim de semana ou um adulto que nunca chegou a aprender a andar de bicicleta e que está a dar os primeiros passos. Mas se fores um utilizador de bicicleta com o mínimo de experiência, não consegues utilizá-las (de uma maneira geral, porque há algumas boas) por vários motivos: 
A - Não andas a passear, andas no mínimo a 30 kms/h e por isso há o perigo de atropelares alguém que se atravesse a pé (altamente provável) ou teres um acidente com uma criança por exemplo.
B - Queres ir do ponto A ao ponto B no mais curto tempo possível para não chegares atrasado. Não queres ir do ponto A ao ponto B, passando pelo ponto C,D,E,F,G,H,I,J...
C - Estão cheias de lixo, como vidrinhos e tu não queres vir à BK Lisboa todas as semanas gastar 10€, para trocar a câmara de ar. A prioridade da câmara é sempre a limpeza da estrada, muito raramente limpam as ciclovias.
Um excelente exemplo em Portugal é Vilamoura, onde não andas à procura das ciclovias, elas é que te encontram. A interligação com os vários pontos da cidade é fantástica.
Outra coisa que ainda não me entrou na cabeça foi alteração da legislação (depende das câmaras) para as motas poderem andar nas faixas BUS e as bicicletas nada. Uma coisa tão simples e que muda tudo. 


3 -  ZONAS 30
Já é uma realidade em Portugal, mas ainda muito tímida. Para se ter uma velocidade aproximada às bicicletas e mais compatível com o peão, principalmente dentro dos bairros o limite deve ser no máximo 30.
Mas muitas das zonas que deviam ser 30, trocaram para 40 (só porque 30 parece pouco e 40 é quase 50, puxado a 60) OH COME ON!! Assim não vamos lá. 
Em todo o caso este é um dos pontos que eu acredito que vai evoluir bastante, porque aparentemente parece ser fácil de alterar, com pouca logística e custos, passando muitas vezes essas alterações despercebidas à opinião pública (geralmente ignorante)


2 - ESCOLA
Podia muito bem ser o primeiro do Top 10, mas nesta altura depende muito do outro.
"É de pequenino que se torce a mudança traseira."  Uma componente de mobilidade sustentável nas escolas, assim como infraestruturas cicláveis nas proximidades e proibição da circulação de automóveis a uma distância considerável para desincentivar o seu uso. Os miúdos têm de crescer com a ideia de que não é normal o que se passa actualmente na nossa sociedade em relação ao abuso do uso do automóvel e que o natural e saudável é irem a pé para a escola ou de bicicleta. Não adianta proibirem o fumo junto das escolas se depois não fazem nada em relação a isto que provoca muito mais danos a curto e médio prazo.



1 - FISCALIZAÇÃO 
O primeiro lugar a nosso ver! Não é ter um polícia em cada esquina. É ter pelo menos polícia! Durante a semana, na tua rotina, quantas vezes vês polícias a controlarem as velocidades na tua zona, especialmente dentro da cidade? Pois é, eu também. E segundo os últimos estudos mais de 70% dos condutores conduz em excesso de velocidade (que pode ser mais de 20, 30, 40 ou 50 depende da placa) Para além disso, desde que o código da estrada foi renovado (aprox. 1 ano), apenas um condutor foi multado por não dar 1.5m de distância em relação a um ciclista. Para além disso ainda há muitos polícias que não estão actualizados em relação ao código, ainda há pouco tempo fui mandado parar por não ter capacete (reacção "what a f#$& !?") e já conheci mais casos destes.


E foi o nosso TOP 10, se achares que falta mais alguma coisa, escreve em baixo nos comentários. Obrigado por estares connosco!


E toma lá a foto bonita da bike junto ao rio, num domingo solarengo.















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