Ex-ladrão diz como evitar que te roubem a bicicleta.























Omar Aziz (nome fictício), ex-toxicodependente começou a roubar bicicletas quando tinha 17 anos e continuou até que finalmente aos 29 anos, deixou o vício da cocaína e do crack.
Para se redimir,  voluntariou-se em acções sociais e concordou em falar sobre como evitar o roubo de bicicletas.

Aziz roubou muitas bicicletas para alimentar o vício: "era sempre para comprar drogas ou tabaco. Quando acabava, tinha de roubar mais uma bicicleta, para poder comprar mais."

Método
As mais fáceis eram bicicletas bloqueadas com cadeados baratos. "Algumas pessoas pensam que não têm dinheiro suficiente e compram cadeados com cabos finos e eu simplesmente empurrava e puxava a bicicleta, com força até ele partir."
Hoje Aziz bloqueia a sua própria bicicleta com duas correntes grossas, apanhando ambas as rodas e o quadro. 
Os ladrões também podem cortar as correntes grossas, mas é preciso muito tempo e ferramentas pesadas. 
Mas mesmo isso nem sempre o impediu. Pelo menos numa ocasião, Aziz roubou uma ferramenta que precisava, antes de se dirigir à bicicleta.

"Mesmo que existam câmaras, eles não se importam. Para mim, o melhor lugar é onde há muitas pessoas a passar."
Mas até mesmo as ruas mais movimentadas esvaziam em alguma altura do dia, então se Aziz realmente queria uma bicicleta específica, furava um pneu para que o proprietário quando chegasse, a deixasse lá por mais algum tempo. "Se encontrarem a vossa bicicleta com o pneu furado devem levá-la convosco, exactamente naquele momento"

Devem sempre levar bicicletas caras para dentro de casa ou do sítio onde estiverem. Sempre que o traficante de crack de Aziz se cruzava com uma bicicleta cara, mandava-o ir buscá-la. Os ladrões também acompanham a rotina de determinada pessoa e bicicleta. 


Aziz roubava-a e deslocava-se nela até ao ponto onde a vendia por 30 ou 40€. O preço de algumas pedras de cocaína. 
"Eu costumava roubar uma bicicleta de 900€ quando precisava desesperadamente de droga e vendê-la por 30€. 
"Ia até pubs, cafés, lojas de kebab, as pessoas compravam mesmo sabendo que era roubada."

Em Londres, Aziz descobriu que as bicicletas roubadas eram particularmente fáceis de vender. 
"Há uma possibilidade muito pequena de seres apanhado quando há um grande amontoado de bicicletas. Só tens de partir o cadeado, pegar nela e seguir.
Depois a bicicleta é pintada e nunca ninguém descobre... Podes roubar no oeste de Londres e depois ir vender para o norte"

Aziz diz que se sente mal pelas coisas que fez enquanto era viciado. "Eu sei que é mau e é por isso que eu estou a fazer um trabalho voluntário para dar algo em troca, eu sinto-me mal, eu não fiz isso para ficar com elas, eu fiz isso para alimentar o vício".

Duas semanas antes desta entrevista, Aziz teve a sua própria bicicleta roubada, enquanto estava a comprar cigarros.  
Começou por chamar a polícia, mas desistiu e decidiu ser ele a apanhar o próprio ladrão. 
"Demorei 10 segundos a comprar cigarros e quando voltei a bicicleta tinha desaparecido"

"Fiquei muito, muito, muito zangado, quando a minha bicicleta foi roubada, se eu tivesse apanhado o homem que a roubou em flagrante, eu não sei o que teria feito, mas apanhei-a uma semana depois e a pessoa disse-me que a tinha comprado por 3€"
Aziz levou poucos dias para encontrar sua bicicleta. "Para mim, foi estressante. Eu vi pelo rosto dele que era toxicodependente e senti pena. 

As pessoas não os podem ajudar. À mínima chance eles levam-te a bicicleta. Não está segura em lugar nenhum, onde quer que estejas, tens mesmo de bloquear a tua bicicleta.


Retirado e traduzido do artigo "Bike thief tells how to stop your cycle from being stolen" em The Guardian

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