20 euros na bomba 3 por favor


















Ainda que a bicicleta seja o mais antigo veículo de duas rodas, nos útimos anos o maior investimento em conhecimento e experiência foi feito no automóvel. 
Consequência disso é que a maior parte das pessoas está mais familiarizada com palavras e expressões como: Audi A4, Smart, Peugeot 206, "BM", Fiat, acelerador, portagem, bomba, "olhe que os gajos andam aí", seguro, autoestrada, selo, embraiagem, "são só 5 minutos", auto-rádio, código, guiador, "meter a primeira", estacionar, parque, parquímetro, emel... (podia estar aqui horas a escrever) e pouco ou nada familiarizadas com marcas e modelos de bicicletas, cadeiras ou atrelados para criança, acessórios básicos essenciais para o dia a dia, onde estacionar, como ultrapassar as dificuldades diárias no trânsito, etc. 

Grande parte dos nossos clientes, vêm ter connosco porque simplesmente "querem uma bicicleta", muito poucos sabem ao que vêm e provavelmente metade não conhece sequer marcas nem modelos. 
Muitas vezes (demasiadas) temos clientes que querem logo levar a bicicleta que acabaram de comprar e nem se apercebem que a bicicleta está completamente desafinada (pneus, mudanças, guiador, pedais, etc) 
A maioria esquece-se também de que vai precisar de luzes, um bom cadeado e de algum acessório para transportar coisas (cesto, bagageiro, alforge, etc) 
Outros chegam com bicicletas "completamente destruidas" e a única coisa que vêm de errado são os travões que não funcionam. Ou simplesmente pedem para encher os pneus porque não sabem (numa pressão qualquer o que interessa é estarem cheios)

Esse desconhecimento é provocado pela falta de familiarização com este belo veículo. 
Por isso as lojas, principalmente do comércio local, desempenham um papel fundamental nesse processo de adaptação.

Antes de começares numa procura desenfreada por bicicletas, preços, promoções. Pensa primeiro qual vai ser o tipo de utilização. Imagina-te no terreno já hoje. O que farias? Moras em que andar? Tens elevador? Tens de levar o(s) miudo(s) à escola? A distância para o trabalho é muito grande? Faz-se bem, ou é melhor combinar com um transporte? 

Planeamento. Faz uma reflexão de alguns minutos e pensa nos trajectos que vais fazer e onde poderás eventualmente deixar a bicicleta em segurança. Usa o Google Maps para teres uma melhor visão do trajecto.

Mudanças. A não ser que vás fazer cicloturismo, btt ou ciclismo de estrada, não precisas de uma bicicleta com muitas mudanças. Normalmente as citadinas têm 6/7 velocidades no máximo. É o suficiente. Não vais querer subir ao Castelo de qualquer maneira, mesmo com 50 velocidades. Quanto menos mudanças, menos complicações a todos os níveis (manutenção, desempenho). Uma bicicleta sem mudanças (com a relação de carreto/pedaleiro certa para ti) é perfeitamente válida para qualquer cidade (mesmo Lisboa) O segredo está na forma como se usa a bicicleta e a experiência com o precurso.

Altura. Para cada pessoa há uma bicicleta com a configuração e quadro perfeitos. É importante sentares-te em algumas até sentires conforto logo num primeiro contacto. A maioria das bicicletas urbanas oferece uma postura de condução direita, mas podes ter preferência por uma condução mais agressiva, com um guiador mais baixo. Tudo é aceitável. 

Segurança. Luzes recarregáveis (para não andares a comprar pilhas todas as semanas) e cadeado forte (em U). E o capacete? Bem eu pessoalmente não uso sempre, mas reconheço que por vezes arrisco demasiado com velocidade e em algumas zonas de trânsito intenso.










A verdade é que mais importante do que o capacete é saberes manobrar bem a tua bicicleta até sentires que és tu que mandas e não o contrário. Não adianta protegeres a cabeça e depois espatifares-te no chão por causa de um erro de cálculo. A maioria das quedas se deve à falta de experiência ou bicicleta desadequada ou mal ajustada. Em todo o caso se te sentires mais à vontade, compra um capacete bonito que gostes, para depois não ficar "esquecido" em casa!

Código da estrada. Bem aqui vou ser polémico, mas tem de ser. "ESQUECE O CÓDIGO". As aspas são de propósito, na verdade não é para esqueceres o código mas sim para dares mais importância à tua segurança. Mas isso não é um contrassenso? Não! Seria, se o código da estrada protegesse eficazmente os utilizadores mais vulneráveis. E mesmo que protegesse, há um aumento gradual do desrespeito por parte de veículos motorizados, principalmente nas velocidades e um notável sentimento de impunidade.
O que acontece é que apenas se tem andado a fazer correcções a um código obsoleto com mais de 50 anos e que foi feito a pensar nas exigências do veículo motorizado. Por muitas alterações que façam, o sistema naturalmente continua a ter muitas lacunas. Por exemplo, vais encontrar situações em que nas estradas mais movimentadas é mais seguro avançar um pouco antes do sinal verde (sim o vermelho!), ou situações em que é mais seguro circular por um passeio ou sentido proibido.  
Outras regras de segurança fundamentais a são: ocupar bem a via (para não sofrer razias, levar com uma porta de um carro mal estacionado ou lixo/buracos na berma), sinalizar as mudanças de direcção e olhar SEMPRE nos olhos do condutor nos cruzamentos e rotundas.


Resumidamente é isto. Se tiverem alguma dúvida comentem em baixo que eu respondo.
Obrigado por estarem connosco!








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