Ó activista, tens cá disto?

Já algumas pessoas me perguntaram se não tínhamos medo de perder clientes por abordar publicamente nas redes, blog e loja, este ou aquele tema pouco consensual, como a parvoíce mais recente da ANSR sobre a possibilidade da obrigatoriedade do uso do capacete ou críticas à Câmara de Lisboa sobre a nojice de trabalho em algumas das recentes ciclovias que fizeram nas principais avenidas. 
Aparentemente, apesar da sinceridade, gerir uma empresa é diferente de gerir a vida pessoal, (embora com algumas semelhanças :)  e há sempre aquela velha máxima em que política, futebol ou religião devem ficar guardados na gaveta durante o horário de expediente. 
Parece pouco cauteloso criticar a obrigatoriedade do uso do capacete quando o próprio negócio vive, para além de outras coisas claro, da venda de capacetes. Ou criticar quem se desloca de automóvel diariamente dentro da cidade, tendo outros meios, quando grande parte dos nossos clientes se deslocam à loja de automóvel. Ou criticar a Câmara de Oeiras e o seu presidente pela negligente e nada democrática conduta em relação às políticas de mobilidade sustentável no concelho, apesar de serem nossos clientes.












Sim é pouco cauteloso para uma empresa com fins exclusivamente lucrativos. Felizmente não é o nosso caso. Aliás nós nem sequer somos uma empresa. Somos um grupo de pessoas com ideias bem vincadas sobre o que queremos para a nossa cidade e construímos um negócio local para estarmos mais envolvidos no tema e ao mesmo tempo pagar as contas pessoais.   

Não podemos guardar para nós críticas ao mau funcionamento do sistema, como o deficiente trabalho de fiscalização da polícia, um dos piores da Europa, ou quando constantemente ouvimos experiências pessoais dos nossos clientes e amigos, sobre a falta de respeito de muitos automobilistas a tudo o que não seja motorizado. A verdade é que a falta de respeito e o bom senso andam de mãos dadas e sempre estiveram presentes nas acções dessas pessoas ao longo da vida, mas nota-se mais quando estão com uma arma de uma tonelada na mão. Neste mesmo dia em que escrevo passei por uma situação com um filho da puta (estive alguns minutos a pensar, mas não consegui outro adjectivo desculpem), que sem perceber que ocupo minimamente a estrada para não levar uma razia 
ou com uma porta de um dos carros parados em segunda fila da Mouzinho de Albuquerque, vem atrás de mim colado a apitar e a fazer sinais de luzes, ultrapassa-me e corta logo à frente à direita ironicamente para a rua da PSP. Colocou-me 2 vezes em perigo e cometeu 3 infracções em menos de 10 segundos: apitar sem perigo iminente, violação da distância mínima de segurança (1.5m), excesso de velocidade (+ de 50)

Estar calado é compactuar com políticas que não defendem e dificultam quem escolhe modos de transporte amigos do ambiente, mais seguros e que ofereçam melhor qualidade de vida. 
















Eu hoje não tive necessidade nenhuma de passar por isto. Podia muito bem pegar no carro (que já não tenho por opção mas isso agora não interessa) e ir à minha vida.

Não podemos deixar de criticar empresas do Estado como a Infraestruturas de Portugal e associações como a ANSR ou o ACP que ainda trabalham numa espécie de regime "democrático-ditatorial" onde raramente (nunca?) temos voto na matéria, são contra tudo o que não seja motorizado, influenciando bastante as decisões de câmaras municipais e outras instituições (lobby automóvel) e prejudicam o trabalho e o esforço de todos os que de alguma maneira ajudam a melhorar o ambiente e a segurança do seu bairro, cidade, vila ou aldeia. 

No dia em que deixarmos de fazer isso, é porque fechámos a porta. E acreditem isso não vai acontecer tão cedo... espero ^_^ 

* Uma palavra de apoio a todos os que pensam fora da caixa: continuem, força! Vão para o trabalho de bicicleta, conjuguem com os transportes, ensinem os vossos filhos a pedalar na estrada como eu ensinei os meus, porque são eles que nos vão substituir. Não desistam. Se precisarem de ajuda, de discutir algum assunto, ou simplesmente de desabafar, enviem-me um email ou passem na loja

E obrigado por estarem connosco!

D.

Comentários

  1. Já tinha pensado no mesmo (de terem uma opinião tão forte em nome da empresa), mas há muito tempo que percebi que a BK era mais que uma loja :)

    E assim se vê que não estão nisto pelo lucro mas pelo prazer!

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  2. O ACP tem os seus interesses, e tendo como presidente uma ... um... coiso anti-ciclista e anti-peão, só se pode esperar o pior do ACP.

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    1. O problema é darem-lhes crédito para intervir nas obras públicas.

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  3. Não deixo de subscrever a tal "review" bem como os temas levantados. Se de facto essas entidades se dizem interessadas em receber indicações dos ciclistas para melhorar infraestruturas, por outro nada fazem com isso. E voltamos ao mesmo... ando a enviar "coisas" para um saco roto, só para fazerem de conta que estão preocupados ou a fazer algo... O que é mentira. Estão-se nas tintas!

    E isto vai continuar enquanto o tema estiver politizado, petrol mind = votos.
    E agora todos vão querer parque privativo a porta de casa, até um trumpas tuga elegem para tal.... E assim vai a merdice tuga.

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  4. Bom dia.
    Eu sou ciclista por lazer e automobilista por necessidade e vejo, na má convivência entre automobilistas e ciclistas, culpas nós dois lados; a dos automobilistas já foi aqui bem sublinhada e concordo com tudo mas as dos ciclistas também não deve ser branqueada; quando os ciclistas respeitarem as regras de trânsito e deixarem de andar a alternar entre a via rodoviária e os passeios e respeitarem a sua integridade física usando capacete, então passarão a ser considerados mais "iguais" pelos automobilistas.
    Não me parece correcto que o ciclista ocupe a faixa de rodagem quando lhe convém e depois ignore o semáforo vermelho ou passe para o passeio para seguir a sua marcha ficando o automobilista, que foi de certa forma atrasado pela marcha mais lenta da bicicleta, parado no vermelho e o ciclista continua no passeio, às vezes até, fazendo razias aos peões - acreditem que já vi isto várias vezes!
    Quanto ao capacete, sou de opinião que devia ser obrigatório tal como o cinto de segurança, para defesa da integridade física do ciclista - já viram ou imaginaram um melão a cair no chão? Assim é a cabeça humana ao cair desprotegida, no chão.

    Penso que todos, automobilistas e ciclistas, temos responsabilidades e espaço para melhorar no uso das vias públicas e convivência responsável.

    Acredito que não seja eu o único a estar dos dois lados por vicissitudes da vida e, por isso, ter uma visão mais abrangente da situação.

    Cumprimentos.

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    1. Olá Manuel, tem razão em muito do que disse. Mas experimente ser por uma semana ciclista por necessidade e automobilista por lazer. Vai ver que irá mudar algumas opiniões que tem sobre o respeito fiel ao código, entre outros coisas. O código foi projectado para o veículo motorizado. Se o cumprir à risca, dificilmente aguentará uma semana na estrada. Faça a experiência e depois conte-me pessoalmente:) abraço e obrigado por nos seguir!

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  5. Boa noite.

    Desafio aceite. Em Junho estarei de férias e farei isso.

    Já costumo andar de bicicleta aos fins de semana, respeitando rigorosamente o código da via onde circulo e penso que conseguirei fazê-lo durante uma semana.

    Mas não será por necessidade; será por decisão ponderada e consciente de usar um meio de transporte não poluente e promotor de estilo de vida mais saudável.
    As necessidades não se decidem quanto ao seu aparecimento. Enfrentam-se quando as vicissitudes da vida as colocam no nosso caminho.

    Cumprimentos.

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