A sustentável mobilidade do ser

Parte 1
Já faz uns bons anos desde que vendemos o carro e adoptámos um estilo de vida mais sustentável, amigo do ambiente, da carteira e do corpo. 
Na altura os filhotes (com diferença de 2 anos) ainda eram pequenos e por isso a melhor solução foi ter uma bicicleta robusta com duas cadeiras de transporte, uma a frente e outra atrás. Se essa solução passasse no teste, tínhamos ali um veículo para muitos anos. Escola, compras, praia, passeios, não havia limites. Quando os trajectos eram pouco simpáticos ou demasiado longe, combinava-se com o comboio ou o barco por ex. no caso da praia.
Mas os anos passam. Tu vais ficando mais velho, a altura é a mesma e o peso também. Com os miúdos isso já não é assim.
Por sorte conseguimos um protótipo de bicicleta de carga estilo "longtail" (cauda comprida) que a Órbita tinha feito especialmente para uma empresa de distribuição na Holanda. Uma longtail é uma bicicleta que tem a traseira mais comprida e é mais vocacionada para transporte de pessoas. Depois de uns ajustes na bicicleta (melhor transmissão, melhores rodas etc), tínhamos veículo para mais uns aninhos.
Mas os miúdos (felizmente) continuam a crescer e entram na adolescência... ou na pré, como lhe chamam agora.
Como a longtail era pouco prática para o apartamento decidimos experimentar outra solução. Cada um com a sua bicla e tudo roda 20" para ocupar pouco espaço.
Já era altura também, depois de alguns anos a ensiná-los a andar na estrada. 











Parte 2
Os anos passaram e o estilo de vida tornou-se completamente car-free. Comboios, metro, barco, andar a pé, autocarro, bicicleta, conjugar bicicleta com comboio, ou andar a pé com metro, táxi quando se anda fora de horas, etc.

Até que... a cegonha chega outra vez. E tu em vez de estares preocupado com as milhares de fraldas descartáveis que infelizmente vais ter comprar, ou as N noites que sabes por experiência que não vais dormir, estás mais preocupado em não deixar que o "papão" do automóvel volte a entrar na tua vida. A tentação é grande, o sistema não ajuda e a normal condição frágil do teu recém nascido fala mais alto.

Começa logo no hospital. O próprio sistema do hospital obriga ao uso do automóvel (localização pouco ou nada acessível a outros modos, parqueamento exclusivo para automóveis, indicações do pessoal para o transporte do bebé no carro, etc)















A família e a maioria dos amigos. São os maiores opositores das tuas convicções e pensamentos "fora da caixa". Se antes já era mau, agora é praticamente um crime. "Porque não é normal", "Porque está frio para o menino" "Porque vai fazer calor" "Porque podes ter alguma urgência" 

A sociedade. Quase tão influenciável como a família, uma conversa com o colega de trabalho ou conhecido do café sobre o assunto é o suficiente para te sentires excluido (a).



Facilidade de aquisição de automóvel. Hoje em dia, qualquer pessoa, pode comprar e manter um automóvel. Basta abrir um qualquer site de usados e compras um carro por mil euros ou até menos, nem que seja só para durar um ano ou dois. 














Infraestruturas. Sabes bem que deslocares-te (a pé ou de bike) na tua cidade portuguesa é diferente de qualquer rua de Amesterdão ou de Copenhaga. 99% das nossas infraestruturas estão pensadas e desenhadas para serem usadas pelo automóvel. Não quero dizer que não sejam minimamente seguras (depende!) mas que as suas formas, sinalizações, edifícios, acessos, tudo foi pensado e projectado com o automóvel em mente.

Perante isto, o que é que fazes?

Nada.

Escreves um novo post no blog e vais-te deitar porque amanhã há consulta cedo e tens de andar uns inaceitáveis e criminosos 10 minutos ida e volta a pé, com o teu recém nascido, embalado pelo carrinho de bebé que já tem uma campainha e talvez em breve uns melhores travões, pneus antifuro e um gps.

Soluções para transporte de crianças



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