A minha primeira vez foi horrível

O título é clickbait puro, mas é verdadeiro. Se estás a pensar pegar na bicicleta que está na garagem ou arrecadação há anos e começar logo a ir para o trabalho, NÃO O FAÇAS.
Eu próprio comecei assim e a experiência foi suficientemente horrível para não voltar a pegar nela. Mas quis o destino ou a sorte que nos voltassemos a encontrar e cá estou eu. 



Porquê?

Pegavas num automóvel ou numa mota encostada há anos, pneus em baixo, sem inspecção, seguro, revisão etc etc, para ir trabalhar? (...) A lógica é a mesma. Só pegas numa bicicleta assim porque ainda a relacionas com um brinquedo. Mas até mesmo um brinquedo mal concebido pode aleijar, muito mais uma bicicleta que não é de todo um brinquedo. E começares a circular num veículo de duas rodas, sem uma revisão de fundo, pode ser (e é na maioria das vezes) a morte do artista, passo a expressão, embora se o bicho estiver mesmo mau e te faltarem os travões na Calçada do Combro, com carris dos eléctricos e em dia de chuva, a coisa pode ficar mesmo feia para o teu lado.




Pois bem

O primeiro passo é ires a uma oficina de bicicletas. A mais próxima do teu bairro. Sim, se moras na margem sul ou em Sintra não vou recomendar-me. Embora tenhamos clientes de norte a sul do país que vêm cá de propósito porque já nos conhecem ou foram recomendados. O importante é estabeleceres laços com o mecânico para estar sempre à mão quando for preciso.
Outra coisa que pode custar no início quando ainda não dás o devido valor: não te importes de gastar dinheiro com a bicicleta, é o teu super veículo! Podias estoirar 500€ só em manutenções e acessórios que ao fim de uns meses está mais do que pago (o mesmo não se pode dizer em relação ao automóvel claro) 
Depois convém olhar para a bicicleta com olhos de ver. Os pneus são os mais indicados para estrada? A posição do guiador é confortável? Se não, é o suficiente para ficares com uma ideia errada da bicicleta como meio de transporte. Para compreenderes melhor, estabelece um paralelo: irias para o trabalho num formula 1 ou rally? 
Só depois de teres o teu veículo revisto e optimizado é que te deves aventurar no #BikeToWork 
A seguir entras num universo de coisas que não sabias que ias precisar: luzes boas (de preferência usb, sustentável), guardalamas, suporte traseiro e alforge para as tralhas do costume, impermeável porreiro (não é um tipo saco de plástico!) cadeado robusto em U (Kryptonite ou Abus, (quase) tudo resto é lixo). Reaprendes os caminhos, afinal o melhor caminho já não é o tal por onde ias de carro, conjugas a bicicleta com o comboio, metro, barco ou autocarro e se calhar percebes que precisas de algo mais leve ou compacto, transformas a tua rotina em algo mais excitante, ganhas mais tempo, acordas com mais vontade de ir trabalhar e claro depois vens para as redes desabafar porque fulano tal não te deu 1.5m ou porque te mandaram para o passeio.  

Notas finais

Há muito para se dizer sobre este tema, mas se quiseres saber mais, vem cá ter ao estaminé para conversarmos ou lê o Livro da Bicicleta do amigo Miguel Barroso. 

obrigado por nos acompanhares
Diogo


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